Como os governos reagiram à crise do petróleo? Para 100 países, prioridade foi conter preços

Subsídios e redução de impostos para combustíveis fósseis ganharam força este ano

Moto abastece em posto de combustíveis no Rio de Janeiro com preços menores após redução do ICMS sobre combustíveis, em 5 de julho de 2022 (Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Moto é abastecida em posto no Rio com preços menores após redução do ICMS sobre combustíveis, em 5 de julho de 2022 (Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Como os governos reagiram à crise do petróleo? Para 100 países, prioridade foi conter preços

A crise internacional causada pela alta no preço do barril de petróleo devido à guerra entre Estados Unidos e Irã levou cerca de 100 países a adotarem medidas para reduzir os impactos dos preços para os consumidores, enquanto outros 60 buscaram reduzir a demanda e 26 governos passaram a incentivar a eletrificação. 

  • Os dados são do Global Energy Scenarios 2026 da Rystad Energy, divulgado na quinta (15/10). 

Uma centena de países optou por reduzir impostos sobre combustíveis, adotar subsídios ou criar tetos de preços desde fevereiro de 2026.

  • Foi o caminho escolhido pelo Brasil, que zerou impostos e adotou subvenções ao diesel, gasolina, querosene de aviação e gás liquefeito de petróleo, com o etanol pegando carona. 
  • Na semana passada, o governo aumentou a subvenção para o diesel importado.
  • Mesmo assim, os impactos chegam ao mercado: a companhia aérea Gol indicou na quarta (14) que vai reduzir rotas devido aos preços dos combustíveis (Valor Econômico)

Segundo a Rystad, mesmo com a prioridade da maioria dos países sendo a proteção do consumo dos combustíveis fósseis, a atual crise ampliou a busca por segurança energética e acelerou a transição para a eletrificação.

  • O caminho da eletrificação ganhou força sobretudo na Europa e na Ásia. E está ocorrendo com energia nacional, à base de renováveis, nuclear e, em menor medida, carvão.
  • No caso do Brasil, as medidas para substituição da demanda focaram no aumento temporário da mistura de etanol na gasolina para 32%. Você leu por aqui:

A busca por segurança fará com que a dependência global de energia importada atinja o pico até 2034, projeta a consultoria. 

  • Parte relevante da redução da dependência de importação passa justamente pelo menor uso de combustíveis fósseis. 
  • Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês), a demanda global por petróleo deve cair mais do que o previsto em 2026: a entidade passou a estimar retração média de 2,6 milhões de barris/dia no consumo global este ano.

Enquanto isso, os países que não adotaram medidas diretas para lidar com a crise estão sentindo os efeitos, como os Estados Unidos.

  • Dados de inflação divulgados na quarta (14/10) indicam que o preço da gasolina nos EUA em setembro de 2026 foi 20,4% mais caros do que no mesmo mês no ano anterior. 
  • A alta nos combustíveis pressiona a inflação nos EUA, que chegou a 3,7% em setembro (NY Times)

A pressão continua, com os preços do petróleo ainda na casa dos três dígitos. 

  • O Brent era negociado em queda, a US$ 104,25 às 6h de quinta-feira (15/10) no horário de Brasília, depois de fechar o dia em alta de 0,35% na quarta-feira (14), a US$ 106,06 o barril.

Trump e Groenlândia. O presidente dos Estados Unidos afirmou na quarta (14/10) que a Groenlândia possui mais petróleo disponível do que “praticamente qualquer terra, em qualquer lugar do mundo”, e acrescentou que as empresas dos EUA estão se preparando para explorá-lo.

  • Em publicação na rede Truth Social, Trump disse também que a ilha que pertence à Dinamarca terá um propósito de “segurança, defesa e ataque” para Washington, tendo em vista que qualquer ofensiva contra o território norte-americano teria de passar por lá.

Descoberta no Mar do Norte. A Equinor fez uma descoberta de óleo e gás no Mar do Norte em parceria com a Petoro e a TotalEnergies. Segundo a empresa norueguesa, a estimativa preliminar de volume recuperável fica entre 19 milhões e 50 milhões de barris de óleo equivalente.

Guerra na Ucrânia. Pelo menos 600 mil pessoas ficaram sem energia elétrica na Ucrânia após ataques russos com mísseis e drones durante a noite, informou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na quarta-feira (14). Segundo autoridades locais, três pessoas morreram em Kiev. As informações são da BBC.

Planos para exploração e produção. Principal compradora de blocos exploratórios em terra no 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessões, na semana passada, a Aguila Energia se prepara para começar a produzir óleo e gás a partir de dezembro, antes de sair em busca de novas reservas no onshore.

  • A companhia adquiriu 12 concessões de exploração no leilão, por R$ 2 milhões em bônus de assinatura.

Biometano na White Martins. A empresa iniciou as operações de comercialização e distribuição de biometano no Brasil. A companhia já atua, desde os anos 2000, na distribuição de GNL off-grid. O projeto prevê, inicialmente, a entrega de 130 mil m³/mês de biometano para a Cebrace.

Etanol a bordo. A Zilor obteve a certificação internacional ISCC EU para produzir e fornecer etanol ao mercado de biocombustíveis europeu e ao setor de navegação. 

  • O reconhecimento foi concedido à unidade São José, em Macatuba (SP), e habilita a companhia a disputar novos mercados de combustíveis renováveis.

Veículos híbridos. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 181,8 milhões para a Renault Geely do Brasil desenvolver tecnologia de propulsão híbrida. A nova tecnologia será aplicada em uma futura versão eletrificada de um veículo com lançamento em 2027.

  • O projeto faz parte do ciclo de investimentos da marca para o país de R$ 5,8 bilhões entre 2025 e 2027.

Meta climática. O mundo precisará ampliar drasticamente a capacidade de capturar carbono, reduzir as emissões de metano e acelerar a expansão das energias renováveis para limitar o aquecimento global. Mas as políticas e os investimentos atuais ainda deixam o planeta distante da trajetória compatível com a meta de 1,5°C até 2100.

  • Publicado na quarta (14/10), o World Energy Transition Outlook 2026 da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena, em inglês) mostra que, mesmo com recordes de instalações e investimentos em capacidade eólica e solar, por exemplo, as emissões globais continuam aumentando cerca de 1,5% ao ano desde 1990. Leia na newsletter:

Publicado originalmente no portal Eixos

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