Com uma matriz energética composta por 46% de fontes renováveis, o Brasil utiliza o etanol e o biodiesel para amortecer choques de preços internacionais
Com uma matriz energética composta por 46% de fontes renováveis, o Brasil utiliza o etanol e o biodiesel para amortecer choques de preços internacionais
O cenário de instabilidade no Oriente Médio e a constante oscilação nos preços do barril de petróleo têm colocado as economias globais em alerta. Neste cenário, o Brasil se destaca por possuir uma indústria de biocombustíveis altamente sofisticada que funciona como um amortecedor econômico e estratégico.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, enquanto a média global de renováveis não ultrapassa os 14%, o Brasil mantém 46% de fontes renováveis em sua matriz energética, posicionando-se à frente das principais potências econômicas.
Na década de 1970, o programa Proálcool, criado para reduzir a dependência externa após a primeira grande crise do petróleo, foi o início deste movimento que resultou na diversificação da matriz energética.
Hoje, essa herança evoluiu para a tecnologia Flex, a partir de etanol, gasolina ou a mistura de ambos, presente em cerca de 75% da frota de veículos leves do país. Assim, quando o petróleo encarece e a gasolina sobe nos postos, a migração para o etanol hidratado ocorre de forma quase instantânea.
Segundo Francisco Neves, diretor executivo da Associação Nacional dos Distribuidores de Combustíveis (ANDC), essa trajetória permitiu ao Brasil marcos históricos, como a retirada do chumbo da gasolina. “O Brasil foi o primeiro país do mundo a tirar o chumbo da gasolina e o fez por causa do etanol anidro, que exerce o papel de organizar o processo de queima no motor”, explica.
“O etanol anidro é seco, misturado obrigatoriamente à gasolina. Já o etanol hidratado é o único produto 100% substituto do fóssil vendido em larga escala e tem cerca de 70% do poder energético da da gasolina, por isso essa é a referência de preço para o consumidor”, pontua.
Futuro
O próximo passo dessa estratégia envolve o etanol de segunda geração (E2G), também chamado de bioetanol, etanol verde ou etanol celulósico, é produzido a partir da palha e do bagaço da cana, e o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF). As antigas usinas estão se transformando em complexas biorrefinarias, capazes de produzir não apenas combustível, mas químicos renováveis e hidrogênio de baixa intensidade de carbono.
Embora o uso de biocombustíveis não elimine totalmente os reflexos das crises internacionais — já que o preço do etanol pode subir com o aumento da demanda —, ela garante ao Brasil uma autonomia que
Publicado originalmente na EXAME


