Monitoramento do Plano Clima reforça expectativa de alta nas emissões de energia

NESTA EDIÇÃO. Primeira avaliação do Plano Clima para o setor de energia reforça cenário de aumento gradual nas emissões de energia até 2030, pelo menos.

Renováveis na matriz elétrica, biocombustíveis e intensidade de carbono na produção de óleo e gás aparecem entre os destaques positivos.

A minuta do primeiro relatório de monitoramento do Plano Clima aponta que o setor de energia permanece dentro da trajetória de aumento de emissões projetada pelo governo, pelo menos até 2030. 
 
As emissões cresceram 2% entre 2022 e 2024, e a própria minuta admite uma possível tendência de alta.
 
É mais um desafio para o mapa do caminho da transição brasileira — ainda sem diretrizes — e para os próximos anos, inclusive a depender do resultado da eleição presidencial deste ano.
 
Elaborado pelos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Ciência, Tecnologia e Informação (MCTI) e Casa Civil, o relatório de monitoramento ainda precisa passar pelo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) para ser publicado.  
 
No rascunho visto pela eixos, o governo avalia que as emissões do setor de energia ficaram estáveis entre 2023 e 2024, com “possível tendência de aumento gradual, considerando o histórico de emissões do setor no Brasil e as projeções do Plano Clima Mitigação para 2030”. 
 
Na atualização do Plano Clima, o governo Lula (PT) traçou como objetivo chegar a 2030 com emissões líquidas de 444 MtCO₂e associadas à matriz energética, considerando o aumento da demanda por eletricidade e combustíveis. Acima dos 427 MtCO₂e registrados em 2024. 
 
Já a meta geral para 2035 foi definida em bandas — entre 1,05 a 0,85 GtCO2e — deixando para a produção e uso de energia uma margem entre 354 e 473 MtCO₂e.
 
O relatório de monitoramento reforça a mensagem de que o Brasil parte de uma vantagem estrutural na geração elétrica renovável, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar essa vantagem em uma redução consistente das emissões do setor energético.
 
Isso porque, mesmo com a geração elétrica renovável permanecendo acima de 86% desde 2022, as emissões totais do setor de energia seguiram aumentando.
 
O relatório atribui esse aumento, entre outros fatores, à maior geração termelétrica a carvão, ao crescimento do consumo de gasolina e diesel e à retomada das viagens aéreas após a pandemia de Covid-19.

Publicado originalmente no portal Eixos

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